Quantos vegetarianos são necessários para salvar o mundo?

Não, não é uma piada de um carnívoro, mas uma questão real, à qual os estudos começam a concorrer para responder.

17% da ingestão calórica global é composta por calorias provenientes do consumo da carne. Mas para produzir tal carne, as indústrias consomem quantidades desproporcionais de água e nutrientes. No geral, a indústria que produz carne é responsável pela produção de até 18 por cento dos gases de efeito estufa. Esta quantidade varia ao longo do ano, mas nunca cai abaixo dos 8%. Basicamente, a produção da carne polui tanto quanto os carros. Além disso, por mais ridículo que possa parecer, há estudos, tais como os dirigidos pela Organização de Alimentação e Agricultura da ONU, que sublinha que os ruminantes (criados para consumo) geram anualmente cerca de 100 milhões de toneladas de metano, um gás com efeito de estufa 25% mais forte do que o dióxido de carbono.

Um estudo recentemente publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences calculou os benefícios de uma dieta pobre em nutrientes e uma dieta sem carne, projetando o impacto de cada uma até 2050. As conclusões dos cientistas são pelo menos surpreendentes. Se os comedores de carne baseassem a sua dieta em cerca de cinco porções de frutas e vegetais, estariam a ingerir menos 50 gramas de açúcar e consumiriam cerca de 43 gramas de carne vermelha, acumulando um consumo diário de 2200-2300 calorias, as emissões de gases de efeito estufa aumentariam em apenas 7% até 2050, em comparação com 51% que vai aumentar, caso se mantenha o ritmo atual de consumo. No caso de uma súbita e radical mudança para o vegetarianismo, o nível das emissões poderiam cair até dois terços, enquanto que a adoção do veganismo reduziria em cerca de 70%

 

Para os outros, mas para ti também

Uma dieta inteligente não é apenas responsável pelo ambiente, mas também pela própria saúde. A redução do consumo de carne vermelha, especialmente a processada, poderia reduzir o risco de doenças cardiovasculares e o desenvolvimento de alguns tipos de cancro. O mesmo estudo revela que a morte de cerca de 5 milhões de pessoas poderia ser evitada durante as próximas três décadas se as pessoas consumissem uma quantidade de carne mais modesta. Se o vegetarianismo fosse mais difundido, o número de vidas salvas subiria para 7 milhões, e se as pessoas adotassem o veganismo esse número aumentaria para 8 milhões.

 

Uma história com “eco-heróis”

Por outro lado, os omnívoros ripostam argumentando que para a adoção de uma dieta totalmente vegetariana deve-se levar em conta todo um complexo de fatores que vão além do interesse individual e da esfera da ecologia. Joanna Blythman escreveu para o The Guardian que os vegetarianos devem confrontar “a verdade inconveniente das consequências a longo prazo proveniente da sua dieta.” A colunista declara que grande parte dos alimentos favoritos dos vegetarianos dos países ricos provêm da exploração da agricultura nos países pobres.

 

Blythman dá o exemplo do cereal quinoa (que se pronuncia “keen-wa” e não “qui-no-a”), que rapidamente foi integrado na dieta vegetariana devido às suas qualidades, mas cujo consumo crescente tem efeitos adversos nos países onde é cultivado. Os ocidentais passaram a consumir a quinoa em massa. Devido a isso o seu preço de produção aumentou de tal forma que os residentes nas áreas onde a planta é cultivada já não têm recursos para a comprar para o seu próprio consumo.

 

Outro editorial publicado também no The Guardian, desta vez por Mimi Bekhechi, reprova Blythman que quer fazer dos omnívoros uma espécie de “eco-heróis”. Bekhechi diz que a solução não é a abstinência de quinoa, porque, de acordo com o Worldwatch, o vilão é na realidade a agricultura de forragem, vital para o crescimento do gado. “O consumo de carne requer um uso ineficiente de grãos – os cereais poderiam ser usados de forma mais eficaz se fossem consumidos diretamente por pessoas”, conclui Bekhechi.

 

Os jornalistas de The Economist sugere, em uníssono com os pesquisadores que, mais realista do que a conversão global ao vegetarianismo seria uma melhor gestão das terras cultivadas com forragem e a mudança do menu dos animais de criação. Essa mudança deve começar com os países ricos que têm mais opções culinárias, especialmente porque as projeções atuais indicam que até 2050, o consumo de carne vai aumentar em mais de 75%.

 

 

O individual tambem é político

O vegetarianismo como ato político

“A política aparentemente surge desconexa do vegetarianismo, mas se a considerarmos como a procura do bem-estar comum numa sociedade, podemos encontrar aqui um fio condutor que nos permite levar a um ponto crucial do nosso consumismo: a ideia de que a escolha comercial de um consumidor é sempre um ato político.

Então se considerarmos as políticas alimentares, que norteiam nações e continentes inteiros, compreendemos o quão relevante são as acções quotidianas que acompanham a nossa alimentação e a nossa liberdade de escolha de um produto alimentar, em detrimento de outro. Podemos mesmo afirmar que não podemos negligenciar o nosso poder económico individual e temos a responsabilidade de o gerir da melhor forma possível. Um consumidor passivo não se coaduna numa democracia onde é vital tomar partidos e estar consciente das nossas decisões diárias e respectivas consequências.

De facto, a confluência de uma série de razões que determinam a nossa escolha no momento da selecção de um produto no supermercado, como o nosso sistema de crenças, ideais, disponibilidade económica, qualidade do produto a ser adquirido, credibilidade social da marca, impacto ambiental associado, a influência publicitária,ser um produto biológico ou não, ou até o tipo de produção industrial empregue, moldam as nossas decisões de compra e motivam estudos infindáveis ao comportamento dos consumidores.

No fundo, falamos de realizar escolhas vitais que determinam lucros a uma empresa e não a outra, que evidenciam o sucesso de uns e o fracasso de outros ou que permitem construir um futuro sustentável ou não.

O vegetarianismo surge aqui como um elemento crucial, dado que nos permite assumir uma postura decisiva no consumo orientado dos produtos que são isentos de crueldade animal, não testados em animais ou têm efeitos ambientais reduzidos.

Cada vez mais urge a necessidade de levar a política para os supermercados e espaços comerciais, vincando de forma inequívoca o rumo que traçamos para nós e para o nosso futuro comum.”

Será o Vegetarianismo um ato político? http://www.esquerda.net/dossier/ser%C3%A1-o-vegetarianismo-um-ato-pol%C3%ADtico/22134

“Comer é um acto político. Um acto progressista e revolucionário”

“Não conseguimos mais diferenciar a manifestação pessoal da manifestação política. A forma como estamos a comer, a consumir, vai levar à degradação do nosso bem-comum, do nosso planeta.

Há uma percentagem enorme do PIB, do Orçamento de Estado que vai para [o tratamento] de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, tudo devido à nossa alimentação. Se queremos a sustentabilidade do SNS temos de ter menos doentes. Ir à origem do problema.”

http://www.publico.pt/politica/noticia/comer-e-um-acto-politico-um-acto-progressista-e-revolucionario-1703884

Como é que o PAN se situa no espectro político?
Não temos adversários. Trabalhamos para unir os portugueses em causas comuns, somos um partido de causas e de valores. E não nos revemos na categorização de esquerda e direita. O problema é estarmos a falar de sociedades produtivistas-consumistas, em que a base da economia é sempre o crescimento. É este mito em que todos os partidos estão fundados. E é este crescimento infinito que não tem respeito nem pelo planeta, nem sobre todos os restantes seres e recursos.

Declaração de princípios da PAN

http://www.pan.com.pt/quem-somos/valores/declaracao-de-principios.html

7 – Consciente de não ser possível alterar imediatamente os hábitos alimentares da população portuguesa, o PAN defende uma progressiva diminuição dos seus efeitos negativos sobre o meio ambiente, a saúde pública e a vida e bem-estar de seres humanos e animais mediante várias medidas:
a) divulgação da possibilidade de se viver saudavelmente com uma alimentação não-carnívora, vegetariana e vegan e das suas vantagens em termos de não causar sofrimento aos seres sencientes, do equilíbrio ambiental e do sabor, diversidade e riqueza.
b) Redução das taxas sobre os produtos de origem natural e biológica.
c) Obrigatoriedade dos restaurantes oferecerem pelo menos um prato vegetariano.
d) Opções vegetarianas em todas as cantinas escolares e das instituições públicas.
e) Incentivo e apoio ao surgimento de lojas de produtos naturais, biológicos e restaurantes vegan-vegetarianos, sobretudo no interior do país.
f) Incentivo e apoio à agro-pecuária extensiva.
g) Eliminação progressiva da produção de ovos em aviário, acompanhada de promoção das empresas com produção de ovos de galinhas criadas ao ar livre.

2as Feiras sem Carne http://www.pan.com.pt/accoes/campanhas-a-decorrer.html

 

‘Politicians’ attitudes towards ethical food consumption and the environment considerably affect my vote’

Molly Russell, 18, first-year French and English literature student at the University of Warwick, is vegetarian. She says:

I’ve been vegetarian for 10 years and am currently following a vegan diet a couple of days a week. For me, the reasons are purely ethical and environmental. At the age of eight I became interested in environmental issues, animal rights and the harsh reality of factory farming. Eating meat contributes to land and water pollution and the needless suffering of animals. If people considered more deeply where their food came from, they’d think about reducing their meat intake.

I strongly believe these issues should feature more on the political agenda. Politicians’ attitudes towards ethical food consumption and the environment considerably affect my vote, and for this reason I am planning on supporting the Green party in this year’s general election.

Sould everyone become vegetarian?  http://www.theguardian.com/education/2015/apr/10/should-everyone-become-vegetarian

 

Relatório publicado pelas Nações Unidas http://www.un.org/apps/news/story.asp?newsID=20772#.VtduuxhJEik

 

Discurso de Philip Wollen, ex-vice-presidente do Citibank, no St. James Ethics Centre e The Wheeler Centre em Melbourne, Austrália.

A imprensa feminina

Segundo a autora Isabel Menéndez Menéndez (2009), as revistas femininas surgiram no século XVII. A primeira publicação foi criada na França, em 1631, e intitulava-se „Gazette de France‟. Posteriormente, em 1693, apareceu em Inglaterra a „Ladies Mercury‟.

No século XVIII, existiram diversas revistas feitas “por e para as mulheres”, principalmente na França. As revistas femininas da altura tinham o formato de jornal e o seu carácter pedagógico “ensinava a ser mulher segundo o costume da época” (Menéndez, 2009). Mais tarde, no século XIX apareceram com o formato que hoje as conhecemos. Segundo Isabel Menéndez Menéndez (2009) os “conteúdos, de acordo com as mudanças políticas e sociais, alternam-se entre os mais conservadores, (…) com outros orientados para facilitar a emancipação e, por tanto, mais interessados na educação ou nos direitos das mulheres”.

Em pleno século XX, nos anos 60, “surge realmente a imprensa feminina em Espanha tal e qual como a conhecemos hoje em dia” (Ganzabal, 2006:1). Destacamos duas revistas que tiveram grande expansão no país vizinho, a partir desse período: A „Telva‟ e a „Dunia‟. A primeira, criada em 1976, representou durante 20 anos “os valores mais tradicionais da mulher”. „Dunia‟, por sua vez, trouxe novidades. Tinha como público-alvo “a nova mulher” e podemos compreender melhor o carácter de ambas as publicações através da afirmação da autora Maria Ganzabal Learreta (2006:2): “se a revista „Telva‟ era igual à mulher conservadora, „Dunia‟ correspondia à mulher emancipada ou progressista”.

De acordo o Ana Rato Jorge (2008:25), em Portugal, nas décadas de 50 a 80, as revistas femininas tinham o objectivo de: “entreter e aconselhar de forma visualmente apelativa, para a qual contribuía a própria publicidade, criavam momentos de evasão que ajudavam a definir a feminidade através do consumo. (…) As revistas femininas mostravam às mulheres o seu novo papel de consumidora para a família, mas também para si própria”.(Jorge, 2008:25)

Já na década de 80, surgiram as revistas masculinas que “ajudavam os homens a orientar as suas opções”. A autora acrescenta ainda que ao longo do século XX a mulher foi-se tornando independente com a entrada no mercado de trabalho, enquanto que os homens foram entrando “na esfera do consumo” e desta forma, as “revistas femininas e masculinas foram fazendo parte desse movimento social e económico”, até aos dias de hoje.

A Máxima (1988), A Cosmpolitan (1992), A Activa (1993) e a Lux Woman (2001) são alguns dos exemplos de revistas femininas em Portugal (Jorge, 2008:26) e, neste sentido, em entrevista ao Diário de Notícias9, Alice Marques, autora do livro “Mulheres de papel”, considera que “os homens são mais valorizados por aquilo que fazem e as mulheres por aquilo que parecem”. Juana Gallego Ayala (2009:44-45) partilha a mesma opinião que Alice Marques no sentido em que há uma desigualdade entre os homens e mulheres nos meios de comunicação, pois:

“Os homens são o verbo, e o verbo é acção. Os homens são sujeitos que agem, que fazem coisas, que se movem, que protagonizam factos e este fazer narrado mediante verbos na voz activa. Elas, as que não são nós, são o objecto observado, que não fazem parte do centro a partir do qual se observa e se narra. Daí que as mulheres sejam apresentadas pelo que são, não pelo que fazem. Elas são atributo, ou complemento do verbo ser, (…) impassível, estático”. (Gallego, 2009: 44-45)

Alice Marques entende assim que o trabalho da mulher tem de ser mais valorizado, mas para que isso aconteça, tem de se observar a mulher enquanto ser produtor e não apenas como consumidor. A autora entende ainda que as revistas femininas têm uma “visão muito conservadora”, pois valorizam mais o corpo do que o cérebro. Não é por acaso que a “prostituição e a moda, profissões intimamente ligadas ao corpo, são as únicas actividades em que a mulher é mais bem paga que o homem”.

Neste contexto, as revistas femininas são publicações dirigidas sobretudo à mulher. Os temas expostos são do seu interesse: culinária, casa, moda, beleza, conselhos práticos, trabalho, filhos ou saúde. Não são diárias, como os jornais. Diferem destes, pois não têm uma tiragem diária, mas sim semanal ou mensal. Desta forma, como não podem dar resposta à informação atual, cativam o seu público através da quantidade e optimização da fotografia, aperfeiçoam os elementos gráficos e aprofundam os temas.

Carla Baptista (s/d:521) deixa-nos algumas indicações sobre a “estrutura de conteúdos relativamente fixa” presente neste tipo de publicações:

  • uma reportagem, normalmente inspirada pela vida de algumas mulheres em contextos culturais exóticos;
  • um perfil, habitualmente uma entrevista a uma celebridade ou alguém exemplar;
  • um artigo emocional, em que várias pessoas testemunham sobre experiências limite, como sobreviver a cancros, ultrapassar divórcios e outras perdas;
  • um artigo sobre vida social;
  • um testemunho, baseado na experiência de vida de uma pessoa;
  • uma produção de moda com alguém mais ou menos famoso; uma mini-biografia de alguém famoso, já falecido;
  • uma secção de crítica de espectáculos culturais e/ou acontecimentos sociais.

    A componente mais importante das revistas femininas é a capa e por consequência a manchete, pois tem que de haver um equilíbrio entre os elementos estéticos e a informação, pois é dessa fusão que depende a decisão de compra por parte do público (Menéndez, 2009).

Se antes as revistas femininas eram educadoras e instrutoras das mulheres, agora, no século XXI, “as revistas formam parte do universo dos „mass media‟, consideradas como objectos de consumo num mercado altamente competitivo, e o seu objectivo principal é, a parte do benefício económico, fazer consumir” (Gallego, 1990:47). A beleza e a juventude tornam-se assim, os “valores sagrados” da nova cultura e estão presentes neste tipo de publicações (Gallego 1990: 57-58). A autora vai ainda mais longe e diferencia as capas das revistas femininas e masculinas através deste quadro:

DIFERENÇAS ENTRE AS CAPAS DAS REVISTAS FEMININAS E AS REVISTAS ERÓTICAS PARA HOMENS

 

Revista erótica para homens

Revistas femininas

Destaca as características sexuais

Destaca as características da sedução

Coloca as mulheres em posições atrevidas

Posições sugestivas e atraentes

A mulher é tratada como objecto de desejo

A mulher como objecto de identificação

Desperta a libido

Desperta o desejo de imitar

Referência directa ao sexo

Referência indirecta ao sexo

Fonte: GALLEGO, Juana Ayala (1990), Mujeres de papel, de Hola! A Vogue: la prensa femenina en la actualidad, ICARIA Editorial, S.A.: Barcelona

 

Segundo estes dados, podemos afirmar que o principal objetivo das revistas femininas é conseguir que as mulheres “sintam o desejo de imitar as modelos que aparecem na capa. O seu propósito é fazer com que as mulheres consigam aquilo que as que aparecem nas capas das revistas eróticas conseguem: atrair e conseguir a atenção masculina” (Gallego, 1990:58- 59).

 

 

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Jos. A Bank é um retalhista de moda masculina que oferece os descontos mais ridículos. Uma das suas promoções mais recentes é na compra de um fato oferecem mais sete gratuitos. Na compra de um fato com o preço regular, oferecem mais dois fatos gratuitos, duas camisas, duas gravatas de seda e um smartphone Android.

Parece que fazem este tipo de promoções durante todo o ano. As promoções mais comuns incluem 70% desconto em todos os fatos e na compra de um oferecem mais dois.

 

 

 

Activa e Happy Woman

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Activa e Happy Woman são as revistas femininas portuguesas com maior circulação e conteúdos femininos genéricos, similares aos magazines internacionais de referência. As revistas femininas mensais de estilo de vida foram lançadas em Portugal no pós 25 de Abril, primeiro com a Maxima em 1988, a Cosmopolitan em 1992, a Activa em 1993 e a Happy Woman, mais tarde, em 2006.
A Activa teve uma tiragem media em 2012 em de 78 069 (dados da Associação Portuguesa Control de Tiragens), cada edição uma média de 172 páginas, tem um preço de capa de 2,90 Euros e divide-se em várias secções: Na Capa, Corpo, Moda, Arte de Viver, Crianças e Adolescentes, Casa. Outras secções nem sempre presentes são: Dinheiro e Trabalho, Natal. Em todas as edições encontramos uma forte componente publicitária, sendo inúmeras as páginas inteiras de publicidade que intercalam as páginas de artigos. Nas 12 edições analisadas, encontramos um 37% do espaço dedicado à publicidade, contabilizando só os anúncios de página inteiras e páginas duplas. Encontrámos que 7% dos anúncios estão relacionados com crianças, mas a maioria está dedicada a cosmética (37%); moda e acessórios (30%) e os restantes a outros produtos de consumo.
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Em 2012 a revista Happy Woman teve uma circulação media de 170 253 (dados APCT) e desde seu primeiro número em 2006 que usou a sexualidade como a primeira arma de venda. Tem A sexualidade está patente, seja no conteúdo visual da revista, nos seus artigos e na publicidade. Contém também uma grande componente relacionada com a moda, acessórios e produtos de beleza e tendências sazonais e escassa utilização de celebridades, separando a assim claramente da denominada imprensa cor-de-rosa. A capa é protagonizada por uma modelo “anónima” ao contrário da revista Activa onde sempre aparece uma modelo ou actriz conhecida. A média de páginas por edição é de 178 e tem um preço de capa de 2,50 euros. A estrutura da revista está composta por secções Na Capa, Editorial, Clube Happy onde oferecem descontos em produtos e serviços orientados a um estilo de vida centrado no consumo e nos prazeres do corpo. Outras secções são o Shopping bag, Happy end, Saio, Decoro, Leio, Navego, Testo, Uso, Anoto, Inspiro-me, Sigo. São espaços rubrica onde se mostram imagens e acessórios, comparação de marcas e produtos, sugestões de viagens e escapadas de fins de semana, visitas a spas ou a outros locais de tratamentos para o corpo. Nas 12 edições analisadas, encontramos um 39% do espaço dedicado à publicidade, contabilizando anúncios de página inteira e páginas dupla. Constatámos que em 10% dos anúncios havia o uso explicito do nu e da sexualidade. Os anúncios são na sua maioria dedicados a produtos de cosmética, moda e acessórios, com ausência de anunciantes de produtos para famílias ou crianças.

Encontramos nos titulares da capa da revista Happy  Woman a seguinte predominância de temáticas: sexualidade, a astrologia ou à felicidade. Existe na revista um tónico geral orientado a o estilo de vida hedonista, egocêntrico, o bem-estar individual e o usufruto de todos os prazeres, com especial ênfase ao sexo. Pela linguagem e enfoque escolhido, o preço de capa e os looks de moda sugeridos, podemos concluir que a Happy Woman orienta-se a mulheres jovens e solteiras entre os 20 e os 35 anos, sendo que a revista Activa, está orientada para mulheres entre os 25 anos e os 45 anos, com uma relação estável ou com projectos nesse sentido e que dão valor ao estilo de vida familiar, ao casamento e à maternidade. Embora exista esta diferenciação etária, em ambas revistas encontramos que as secções projetam o ideal da mulher portuguesa atual: independente económica e financeiramente, com uma carreira profissional de êxito, cara, corpo e look perfeitos, com família, crianças e marido (no caso da Activa) e solteira com relações livres (no caso da Happy Woman). As reportagens, os textos publicitários, as fotos representam as mulheres de uma determinada forma, constroem estilos mediante a escolha de posturas do corpo, de roupas e acessórios. Encontramos uma forte componente visual e uma forte relação entre texto e imagem: o uso da cor para estabelecer conexões entre colunas com a mesma temática e outros detalhes visuais que constroem a identidade de imagem genérica da revista.
O discurso narrativo está fortemente baseado na imagem e a paginação é feita de forma a apelar ao sentido visual. Não encontramos em nenhuma das 12 edições analisadas de ambas revistas, nenhuma página composta só por texto: existe sempre e pelo menos, uma pequena imagem, seguida de uma página completa de anúncios. O sentido olfativo é também estimulado, porque há páginas com promoções de perfume e o sentido do tato, quando existem páginas duplas e obriganos forma lúdica a desdobrar a revista para des cobrir o conteúdo do anúncio publicitário.

Segundo Helen Fulton (2005:280) as narrativas oferecidas pelos magazines femininas são compostas por linguagem e imagem e cabe ao leitor decidir sobre as possíveis relações entre elas. Desta forma, antes de começar a ler o texto, somos impactados pela imagem, que nos orienta sobre quais as expectativas a ter em relação à notícia. Quando lemos a linguagem textual, encontramos geralmente a confirmação dessas expectativas. Porque o produto mediático oferecido por estes magazines é composto pela simbiose indissociável de linguagem textual – imagem é apropriado fazer uma análise detalhada de ambos e das suas possíveis relações. Os componentes verbais como títulos, subtítulos, ou textos escritos, articulam-se com as imagens e fotos, numa lógica semiótica que garante uma coerência semântico-pragmática. Os textos e as imagens perfazem um todo coerente. Além dos aspetos semióticos, acreditamos ser interessante refletir sobre algumas escolhas lexicais. Encontrámos com frequência o uso das palavras “Sexy” e “Sensual”, seja em relação a peças de roupa, acessórios, comportamentos, pessoas. Na revista Happy Woman encontramos uso más acentuado de títulos e palavras em língua inglesa (a começar pelo próprio título da revista) enquanto que na Activa são um pouco mais comedidos no uso

de estrangeirismos. Cremos que o uso de palavras inglesas na Happy Woman relaciona-se com o facto de estar direcionada a um público alvo mais jovem e mais sensível à globalização. Em relação à quantidade de títulos de artigos patentes nas capas, encontrámos no corpus analisado uma média de 11 chamadas na Happy Woman, em quanto que na Activa o número é bastante menor, 6 chamadas de capa. Pode-se explicar esta diferença porque na Activa os artigos são mais longos e o tratamento do material jornalístico é feito com maior profundidade, sendo que na H. W. utilizam fór-
mulas jornalísticas mais curtas e mais superficiais.
– WICHELS, Susana: A MITIFICAÇÃO DA SEXUALIDADE NOS MÉDIA. Análise de Activa e Happy Woman.

As revistas e as mulheres

Lista de revistas femininas em Portugal

 

  • VIP
  • Nova Gente
  • TV 7 Dias
  • Maria
  • Ana
  • Afro
  • Activa
  • Caras
  • Caras Decoração
  • Telenovelas
  • TV Mais
  • Lux Woman
  • Elle
  • Cosmopolitan
  • Máxima
  • Máxima Interiores
  • Vogue
  • Flash!
  • Happy Woman
  • Woman´s health
  • Boa Forma
  • Segredos de Cozinha
  • Mulher Moderna na Cozinha
  • Cozinha sem Stress
  • Cozinha Dez
  • Linhas & Pontos
  • Belas Ideias
  • Arte Ideias
  • Ponto Cruz Novidades
  • Tricot

 

Nos últimos tempos, a média impressa tem vindo a desenvolver e a expandir nas revistas femininas. Estas passaram a ser recorrentes devido às mudanças no estilo de vida, na melhor educação da mulher, na independência financeira, entre outras.

Há revistas de moda direccionadas comercialmente, outras sobre decoração e bordados e algumas revistas sobre saúde e bem-estar. Dentre as muitas variedades disponíveis, as revistas de moda são supostamente as mais populares – normalmente extravagantes e cheias de glamour. Esse género de revistas passaram a ter tanta popularidade principalmente por promoverem a cultura consumista.

As revistas direccionadas comercialmente para a moda oferecem um display glamoroso de produtos que ajudam a mudar o estilo de vida da mulher. Certos produtos de luxo são retratados como comodidades necessárias e nesse sentido são criados mercados de massas. O desejo por produtos que criam um estilo de vida promove o consumismo que proporciona um meio de escape do mundo real.

As leitoras acreditam que, por usar certos produtos, vão adquirir possivelmente a imagem perfeita de beleza, mas na realidade isso não acontece. Talvez apenas conseguem uma ilusão mental de satisfação.

Para além de promoverem o consumismo, as revistas de moda direccionadas para o público feminino também desempenham outros papeis – são fontes de educação social e actuam como guia no universo feminino. São dados conselhos sobre como ter uma relação saudável, como manter o marido feliz, como ser uma boa mãe, como ter uma carreira de sucesso, quais são as cores da estação, quais são as tendências da moda, enfim, assuntos que encorajam a mulher a ser perfeita na aparência e nas tarefas domésticas, um estereotipo basicamente.

“It’s about me! [“Isso diz-me respeito!”] é uma identidade apoiada por uma cultura consumista que satisfaz as necessidades e desejos das mulheres através do consumo de mercadorias. É o direito a um estilo de vida centrado em si próprio, hedonista e narcisista que se baseia nos valores de consumo. (Lazar,2009: 375)

 

“No período de tempo sob análise, estendendo-se de Março de 2008 até Março de 2009, o público médio das revistas de estilo de vida femininas atingiu os 8% num universo composto por 8,311,409 indivíduos, dos quais 2,5% seriam leitores da Máxima e 1,9% da Cosmopolitan. O perfil dos leitores das revistas portuguesas de estilo de vida é constituído maioritariamente por mulheres (85,8%) oriundas da área da Grande Lisboa, grande parte da qual estudante ou então empregada no sector dos serviços. Enquanto a Máxima está vocacionada para uma audiência de classe média-alta, a Cosmopolitan tem como alvo mulheres mais jovens, tanto estudantes como inseridas no mercado laboral.” (Marktest Bareme-Imprensa 2009)

 

O exótico nas revistas femininas

estee lauder bali dream for woman edp 100 ml.jpg“Perfumes Bali Dream. Deixe os sentidos levarem-na em viagem até ao paraíso de Bali, onde o espírito do Ocidente encontra o mistério do Oriente, e sinta-se no meio de uma luxuriante floresta tropical com todos os aromas a bailarem no ar. Boa viagem. Bali Dream, Estée Lauder.”
(Cosmo, Março de 2009, p. 55)
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Prada.
Se gosta de perfumes quentes, que envolvem a pele e os sentidos de sensualidade e deixam um rasto de mistério, este aroma exótico é para si. Âmbar, absoluto de jasmim, de rosa, de láudano, óleos essenciais de patchouli e de sândalo da Índia. Prada Woman, Prada. (Cosmo, Março de 2009, p. 55)
A leitora é transportada até continentes distantes mediante a simples utilização do perfume e/ou roupas aconselhados pela revista. As prerrogativas de um
estilo de vida mundano e cosmopolita consiste assim na capacidade de se viajar
virtualmente através do consumo de produtos que evoquem o exotismo.